Pular para o conteúdo principal

orkut

Tenho certo receio de estar no orkut. Sem que ninguém exigisse eu me cadastrei e coloquei vários dados da minha vida a disposição de quem quiser. Alguns mais exaltados colocam endereço completo, telefone e celular. Agora, através de minhas comunidades, os outros podem descobrir em quais escolas estudei, onde morei, quam são meus amigos ou conhecidos. E através dos meus amigos podem saber mais e mais sobre mim.
E qual o problema disto? Não posso calcular. Mas se um dia eu quiser fugir da cidade, do país, sei lá, talvez não seja difícil me encontrar. Mesmo que eu saia do orkut, não sei se meus dados serão realmente apagados.Eu sei, existem diversas maneiras de me encontrarem, estou dando apenas um exemplo.
Acho que são dúvidas comuns a muitos que fazem conta de e-mail, usam o banco pela internet e outras coisas do tipo. Mas estas informações teoricamente estão guardadas para um grupo restrito. No orkut, não. Estão para qualquer um. Eu mesma já vasculhei a vida de muito gente, a sorte delas é que eu não tenho más intenções.
Poderiam me dizer que os dados que as pessoas deixam no orkut podem ser falsos. Mas qual é a graça de colocar dados falsos em uma comunidade que na prática a única coisa que vale é quem você é ou onde você está?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Raquel e os sapatos

Minha mãe está em casa esses dias. Foi muito bom chegar em casa e me deparar com a presença dela. Algumas companhias são tão agradáveis que gostaríamos que elas ficassem por muito e muito tempo. Minha mãe, porém, volta esta semana para a nossa cidade. Mas pretendo viajar daqui um tempo e rever a família. No final de semana passado hospedei um cachorrinho maltês de uma amiga, o Shanty. Ele já tinha ficado em casa quando tinha uns seis meses. Desta última vez, completou um ano de idade. Até comprei uma coleira chiquérrima de presente para ele, que veio acompanhada de chaveiro e mais uma coleira de pescoço com um coração pendurado para gravar o nome. Peguei fácil afeição pelo bichinho. Levava-o para passear; quando estava fora, procurava não ficar o dia todo para não deixá-lo tão sozinho. Quando o entreguei aos donos, senti uma tristeza. Não estava encontrando o ossinho de plástico que ele gostava de morder e fiquei procurando-o durante um bom tempo pela casa na presença de seu dono. Quem...

Crenças

Em um dia qualquer de trabalho, um colega que sentava ao meu lado chegou de manhã com um livro velho nas mãos. Me mostrou e perguntou se eu queria, pois ele já tinha uma edição daquele título. Havia encontrado no térreo da empresa, em uma prateleira em que os funcionários costumavam deixar livros que não queriam mais. Era No caminho de Swann, de Proust. Aceitei, já que não tinha o livro, mas um pouco descrente de que leria logo, pois andava na correria. Ao abri-lo, tive uma surpresa. Na folha de rosto, estava escrito à caneta provavelmente o nome de sua primeira dona, Rita, acompanhado de uma data: 06/06/81. Exatamente o dia em que nasci. Até prefiro ler livros mais novos, mas, depois dessa coincidência, topei em começar a ler este exemplar de páginas amareladas, manchadas e cheirando a velho. Ainda não terminei a leitura. Fiz paradas e retomadas. Em alguns momentos de extensa descrição, cheguei a me perguntar se deveria mesmo seguir, mas o meu encanto com a fineza de pensamento e d...

ao senso comum

Enquanto o ônibus estava parado no semáforo vermelho, o motorista aproveitou para sair do ônibus rapidamente. Voltou com um copo de café para o cobrador. Lembrei que uma amiga minha já havia contado: eles tinham o costume de descer naquele ponto para buscar água no posto de gasolina. O cobrador perguntou: "Está bom?". E o motorista respondeu, sorrindo: "Não sei, não experimentei antes para saber!". Bem humorado voltou ao volante e o cobrador começou a tomar o seu café, em um copo descartável. "Mas está bom", continuou o cobrador com o diálogo. "É, está melhor que antes", completou. O motorista voltou-se para trás, entendendo. "É, antes eram eles que faziam. Agora são umas mulheres que estão fazendo". "É, está bem melhor", disse o cobrador. Olhei pela janela e observei o posto de gasolina: duas ou três mulheres frentistas. Nenhum homem no local. "Será que foram todos substituídos por mulheres?", pensei. E o motorista...