Pular para o conteúdo principal

orkut

Tenho certo receio de estar no orkut. Sem que ninguém exigisse eu me cadastrei e coloquei vários dados da minha vida a disposição de quem quiser. Alguns mais exaltados colocam endereço completo, telefone e celular. Agora, através de minhas comunidades, os outros podem descobrir em quais escolas estudei, onde morei, quam são meus amigos ou conhecidos. E através dos meus amigos podem saber mais e mais sobre mim.
E qual o problema disto? Não posso calcular. Mas se um dia eu quiser fugir da cidade, do país, sei lá, talvez não seja difícil me encontrar. Mesmo que eu saia do orkut, não sei se meus dados serão realmente apagados.Eu sei, existem diversas maneiras de me encontrarem, estou dando apenas um exemplo.
Acho que são dúvidas comuns a muitos que fazem conta de e-mail, usam o banco pela internet e outras coisas do tipo. Mas estas informações teoricamente estão guardadas para um grupo restrito. No orkut, não. Estão para qualquer um. Eu mesma já vasculhei a vida de muito gente, a sorte delas é que eu não tenho más intenções.
Poderiam me dizer que os dados que as pessoas deixam no orkut podem ser falsos. Mas qual é a graça de colocar dados falsos em uma comunidade que na prática a única coisa que vale é quem você é ou onde você está?

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Crenças

Em um dia qualquer de trabalho, um colega que sentava ao meu lado chegou de manhã com um livro velho nas mãos. Me mostrou e perguntou se eu queria, pois ele já tinha uma edição daquele título. Havia encontrado no térreo da empresa, em uma prateleira em que os funcionários costumavam deixar livros que não queriam mais. Era No caminho de Swann, de Proust. Aceitei, já que não tinha o livro, mas um pouco descrente de que leria logo, pois andava na correria. Ao abri-lo, tive uma surpresa. Na folha de rosto, estava escrito à caneta provavelmente o nome de sua primeira dona, Rita, acompanhado de uma data: 06/06/81. Exatamente o dia em que nasci. Até prefiro ler livros mais novos, mas, depois dessa coincidência, topei em começar a ler este exemplar de páginas amareladas, manchadas e cheirando a velho. Ainda não terminei a leitura. Fiz paradas e retomadas. Em alguns momentos de extensa descrição, cheguei a me perguntar se deveria mesmo seguir, mas o meu encanto com a fineza de pensamento e d...

ao senso comum

Enquanto o ônibus estava parado no semáforo vermelho, o motorista aproveitou para sair do ônibus rapidamente. Voltou com um copo de café para o cobrador. Lembrei que uma amiga minha já havia contado: eles tinham o costume de descer naquele ponto para buscar água no posto de gasolina. O cobrador perguntou: "Está bom?". E o motorista respondeu, sorrindo: "Não sei, não experimentei antes para saber!". Bem humorado voltou ao volante e o cobrador começou a tomar o seu café, em um copo descartável. "Mas está bom", continuou o cobrador com o diálogo. "É, está melhor que antes", completou. O motorista voltou-se para trás, entendendo. "É, antes eram eles que faziam. Agora são umas mulheres que estão fazendo". "É, está bem melhor", disse o cobrador. Olhei pela janela e observei o posto de gasolina: duas ou três mulheres frentistas. Nenhum homem no local. "Será que foram todos substituídos por mulheres?", pensei. E o motorista...

a lebre e a tartaruga

Com o sono que acordei hoje, qualquer sapato que pensava em colocar soava como um esforço a mais na minha jornada. Depois de muita relutância, pois teria de romper com o estilo habitual do meu trabalho, resolvi colocar um tênis. Andando ligeira pela Augusta, pois a dificuldade de acordar e a indecisão pelo calçado me atrasaram, de repente me deparei com obstáculos no caminho. Além das pessoas que esperavam o ônibus na calçada, um casal contribuía para tomar todo o espaço restante. Tive que seguir atrás deles, porém percebi que o ritmo dos dois estava muito lento. Olhei para baixo e vi parte do salto da moça, de tamanho exagerado. Era tão alto que dava espaço até para enfeitinhos. Era preto com bolinhas brancas. E com esforço quase sobre-humano a moça tentava se deslocar sobre eles por essas calçadas revoltantemente estragadas da região da paulista. (Se na Paulista já é assim, imagine em outras regiões da cidade). Solidarizando-se com ela, o namorado a ajudava, como alguém ajuda uma vel...