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cigarra urbana

Então a formiga disse: "Cantou? Então agora dance!"
E foi exatamente isso que eu fiz. Depois de quatro anos e meio cantando em um grupo de coral regularmente, resolvi entrar na dança também. Dança clássica, que é para eu me sentir um pouco da bailarina que sonhava em ser quando criança.
Hoje saí da aula realizada, me sentindo feliz. "Não precisa de mais nada". Todas as lamúrias chatas foram embora. Afinal, pensei, eu canto e danço.
Sou uma cigarra de São Paulo. Uma cigarra urbana. Porém, formigas, tratem de saber que as cigarras se modernizaram, mudaram com o tempo. E assim eu sou uma cigarra trabalhadeira. Acordo cedo, passo oito horas no emprego de segunda a sexta, estudo à noite e mantenho a casa em ordem. Temos mesmo que cantar e dançar. Porque virar uma formiga rabujenta, ninguém merece.

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