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Postagens

caríssimos leitores, obrigada

Leitor(a), gosto de você. Não te conheço, mas você me lê. E este é um forte motivo para eu gostar de você. Por sua causa, este blog não é uma ilha com apenas um habitante. E olha que por muito tempo eu pensei que era. Mas eu descobri que você me lê e por isso eu fico feliz.

para quem leu as janelas e seus donos

Hoje, quando acordei, olhei distraidamente pela janela do quarto e ... "o que vejo na janela em frente?" A lata de Nescau sumiu, e em seu lugar apareceu uma lata de cerveja! (ainda não consegui identificar a marca). Deve estar cheia, como a minha de molho de tomate, pois uma lata vazia dificilmente agüentaria o peso da janela. Mas o que é isso? Uma competição. Agora, terei que aparecer amanhã com uma lata de óleo de soja? Quem sabe uma lata de aspargos ou de corações de alcachofra?

"dolly, dolly guaraná, dolly...

...Dolly guaraná... (vai baixando o volume) o sabor brasileiro (pianíssimo)" Não é difícil decorar o jingle que agora passa no intervalo comercial da TV Cultura. E a versão Páscoa que deram à propaganda é tenebrosa. Em uma imitação pífia dos bichinhos Parmalat, a música é cantada por um grupo de crianças que deveriam parecer coelhos, mas devido à maquiagem mal feita, parecem mais monstrinhos da floresta. É uma pena, pois elas devem ser bonitinhas. Mas monstrificaram as crianças.

ninguém está livre do erro

Justo hoje que ia falar de uma bola fora do Paulo Henrique Amorim, percebi que cometi um erro em um dos meus posts. Bem, mas como todos erram, vou lembrar mesmo assim da gafe do Amorim, que por sinal tem muito em comum com a minha. Em seu programa da tarde, uma repórter dava as últimas notícias do caso da família envenenada em Campinas. A polícia acabara de encontrar o diário da menina sobrevivente. O programa mostrava as imagens das páginas mais reveladoras, e uma delas tinha uma grande foto. "Amorim então explicou: aqui está uma foto da menina". Só que qualquer telespectador poderia perceber que a foto, que ocupava a página inteira do diário, era da não pouco conhecida cantora Sandy. A repórter tentou consertar: "é uma ídola da menina", mas a matéria continuou.

falha

Estou envergonhada. Disse ontem que os versos citados no post versinhos emprestados eram do Wando. Mas hoje uma dúvida veio me cutucar e resolvi pesquisar. Desculpem-me, eles são de um cantor chamado Agepê. Farei as correções imdediatamente.

junta de ídolos

Dias atrás vi na Paulista, sob pleno sol escaldante, uma fila enorme. Tive que andar muito para descobrir onde era o começo e o fim. Ela dobrava a Augusta e se concentrava na saída de um estacionamento. Ao redor da fila, vendedores ambulantes vendiam fitas coloridas para amarrar na cabeça com os mais diversos nomes, como Rouge, Zezé de Camargo e Luciano, Daniel etc. Perguntei a umas meninas: “pra que é a fila?” Responderam impacientes, como se eu fosse a única que não soubesse: “pra rádio”. Não entendi. Lembrei que fãs se reúnem em frente de hotéis para esperar seus ídolos. Insisti: “no hotel?” Acho que ficaram nervosas por eu perguntar o que para elas era o óbvio. Resolvi tentar com outra pessoa. Pensei: “será que é emprego para rádio? Será que tem tanta gente querendo trabalhar na rádio?” Mas logo vi crianças e bebês e imaginei que o motivo da aglomeração era outro. Uma mulher, então, deu-me uma resposta mais completa: naquele momento havia vários artistas de TV reunidos na rádio. Nã...

versinhos emprestados

Certo dia ouvi em um programa humorístico de rádio um momento de poesia: os integrantes colocaram uma música brega e começaram a recitar versinhos. Um deles me chamou a atenção e me fez realmente considerar um possível talento dos rapazes para o humor: “Quero te pegar no colo te deitar no solo e te fazer mulher” “Hahaha, deitar no solo é boa! Para rimar com colo! Hahaha, muito bom!”, ri e pensei. Mas que ignorância a minha! Dias depois, ouvindo uma outra emissora, descobri que o trecho fazia parte de uma música de um cantor chamado Agepê.

felino no parque

Em uma manhã, no parque Trianon, dois senhores conversavam sentados em um banco. Entretidos no bate-papo ignoravam o banco em frente. A surpresa inicial já passara, provavelmente. O banco da frente chamava a atenção de quem passava. Nele, estava dormindo um homem, meio magro e não muito grande. Ele estava vestido com um macacão colante, com estampa de oncinha muito real, que cobria os braços e as pernas. Na cabeça, uma tiara dourada, bonita, como de princesa. Entre as sombras das árvores, o frescor da manhã e o vasto verde do parque, o homem parecia um felino descansando em seu habitat natural.

sapato na encruzilhada

Em uma longa viagem, de Florianópolis ao estado de São Paulo, o ônibus chegava à cidade de Curitiba. Na estrada, sinais de civilização, como algumas casas de periferia e estabelecimentos, ainda se misturavam com a paisagem natural da mata. Da janela, avistei um sapato vermelho de salto alto em uma encruzilhada. Este episódio aconteceu há anos, mas até hoje fico imaginando como este pé de sapato feminino foi parar ali. Será que estava lá há muito tempo, ou tinha chegado lá na noite anterior ou naquela manhã mesmo? Foi arremessado, esquecido ou abandonando propositalmente? Quem foi sua dona, ou dono? Estava quebrado? Tantos podem ser os motivos, mas eu não sei qual é o verdadeiro, apenas posso imaginá-los e ficar com a poesia da cena e dividi-la com você. Isto me dá um consolo.

as janelas e seus donos

As janelas dos dois prédios se olham, seriam idênticas, se não fosse a peculiaridade de seus donos. A minha é antiga, dividida em duas partes pesadas que correm para cima e para baixo. Quando me mudei, quebrei o vidro, pois uma das partes emperrou e depois desceu com tudo até o parapeito. Ela oferece duas opções: ou está aberta, com uma "fresta" de quase um metro, ou está totalmente fechada. Os moradores inventam os mais variados acessórios para conseguirem um meio termo. Os objetos mais sofisticados são uns triângulos de madeira que seguram uma das vidraças e possibilitam que a "fresta" seja realmente uma fresta, cumprindo o seu objetivo que é apenas ventilar a casa. O velho que escreve com uma máquina de escrever, lá de baixo, usa listas telefônicas. Tem um apartamento que usa ripas de madeira, amarradas por uma cordinha. Gostei da idéia de um dos meus vizinhos que colocou um rolo de fita isolante para segurar a vidraça. Procurei algo em casa que poderia fazer o ...

merchandising

À noite, estou novamente no metrô indo para a casa de uma amiga. Em uma estação, sentam-se perto de mim duas senhoras. Uma delas é bem velhinha e pequenina. Seus pés nem conseguem apoiar-se no chão. (Lembro-me agora daquelas fotos de quando eu era criança. Eu sentada no sofá da minha casa da vó e meus pés completamente no ar, não dava nem para dobrar o joelho.) A senhora me chama a atenção, não consigo parar de olhá-la, talvez porque seja muito idosa. Tento distrair o meu olhar com outras coisas e quando volto a observá-la, percebo algo em seu peito que não havia notado antes. Será que ela colocou de propósito ou a bolsa estava escondendo? Era um broche enorme, redondo, escrito: “Aparência mais jovem, pergunte-me como”.

programa de jóias 2

Os programas de jóias também vendem relógios. Enquanto ninguém os compra, observo os ponteiros dourados dos segundos darem suas voltas tran-qui-la-men-te e cosn-tan-te-men-te no relógio apoiado no pulso da mulher da face misteriosa. O programa, apresentado em avançadas horas da noite, seria um excelente sonífero, se não me desse a idéia de escrever este post e me fazer levantar da cama para pegar uma caneta e um bloquinho.

do metrô

Fico imaginando essas gincanas que aparecem em programas de TV. Penso que os paulistanos seriam os melhores em uma das modalidades –a dança da cadeira. Eles a praticam diariamente, como posso observar agora na estação Barra Funda em mais um fim de expediente. Quando as portas se abrem, a multidão se espreme e se atropela igual boiada quando é tocada pelos peões para entrar no curral. A agilidade dos paulistanos, para no meio da confusão, encontrar um lugar vazio é espantosa. Fico feliz quando consigo encontrar um lugar e estar entre os campeões da brincadeira. Mas esta é uma técnica aperfeiçoada com os anos de experiência. Alguns passos para se aprimorar na dança da cadeira dos metrôs O campeão da dança da cadeira de um dos níveis mais avançados (estação lotada em horário de pico) não pode entrar no primeiro trem que passa. Ele deve deixar os outros passageiros entrarem para ser o primeiro da fila para o próximo trem. Depois disso, deve fazer a seguinte pergunta: “a porta que se abrir...

post místico que poderia ter escrito no dia 9 de fevereiro se meu monitor não tivesse pifado

Vejo na TV dragões dançando no meio da multidão. Hoje começa o ano novo chinês. E os repórteres avisam: este é o ano do galo. Meu signo no horóscopo chinês é galo. Tenho algo para comemorar. Sim, hoje recebi a notícia de que passei no vestibular da USP: Letras - noturno. Talvez seja coincidência ou um sinal para eu escolher chinês como língua estrangeira.

vê o que se quer

Na entrada da empresa, encontrei o João, que ainda não sabia que eu não trabalhava mais lá. Estava chovendo. Eu estava com uma blusa vermelha que talvez combinasse com o meu guarda-chuva bordô. E ele disse: “Nossa, como você está irradiante!” Lá dentro, os que já sabiam da notícia me olhavam em silêncio. Fico imaginando o que pensavam ao me ver: “Olha só a cara dela, que tristinha”. É incrível como as pessoas vêem o que querem ver.

arquivo-morto

Na minha última semana de trabalho fui até o arquivo-morto da empresa procurar um documento que havia sido perdido. É um lugar esquecido, talvez poucos funcionários o conheçam. Para chegar lá, é preciso passar por um corredor com várias portas, que geralmente está com todas as luzes apagadas. Então se sobe uma escada de madeira improvisada, sem corrimão, e chega-se no teto do prédio. Lá de cima há uma bela vista da gráfica, das máquinas funcionando, das pilhas de livros e dos funcionários, que nem sequer imaginam que você está lá em cima. Fiquei parte da tarde naquele lugar meio escuro, empoeirado, junto a lâmpadas quebradas e caixas de vários departamentos. Eu e o silêncio. Às vezes cantava, revirando aquelas pilhas de documentos esquecidos. Ninguém lembrava deles, que um dia foram descartados, ninguém lembrava do arquivo-morto que os abrigava, naquele momento ninguém devia lembrar de mim, misturada à poeira e às caixas velhas. E eu já estava mais próxima do arquivo-morto do que del...

currículo paulistano

No ano passado cheguei em São Paulo dois dias depois do aniversário da cidade. Peguei apenas os resquícios da festa dos 450 anos. Foi este, então, o primeiro aniversário de São Paulo que acompanhei de perto, e bem de perto por sinal, pois moro a duas ruas da Avenida Paulista, onde acontece uma grande festa. Saí de casa e vi apenas uma pequena alteração no movimento da região. Algumas barracas de cachorro-quente instaladas nas esquinas, pessoas chegando para o evento e a rota de ônibus desviada: todos passando em frente à minha casa. O céu cinza, nublado. Entrei no Center 3: movimento normal. “Ué? Cadê a muvuca, a multidão, a confusão, que nem eu vejo na TV? Já sei: quando chegar na Paulista, vou levar um susto, não vai dar nem para andar!” Fui pela Augusta e quando vi a Paulista: deserta! Percebi que o show era mais distante, lá pela altura do Trianon-Masp. (Que coincidência: no momento em que escrevo toca Adoniram – “Arnesto nos convidou”, Iracema e As mariposa) E não dava para ...

novo quadro

estou criando um novo quadro para o meu blog. Não sei ainda se vai rolar. É o "eu tive coragem" e "eu não tive coragem". Pelo menos uma participação ele já tem. É esta: "Eu não tive coragem de comer Yakisoba de rua"