Especialistas aconselham não dormir com a televisão ligada, mas para quem gosta da tecla sleep, dou o meu conselho. Depois que comprei um aparelho para o meu apartamento, descobri um ótimo sonífero. São os programas noturnos que vendem jóias. A imagem é quase sempre a mesma: a mão, as orelhas ou o colo de uma mulher. O que varia é a joia que enfeita (ou não) estas partes do corpo desta mulher ou mulheres não identificadas. Muitas nem são bonitas, mas é bom dormir olhando para ouro, brilhantes, esmeraldas e outras coisas do gênero. Relaxante.
Em um dia qualquer de trabalho, um colega que sentava ao meu lado chegou de manhã com um livro velho nas mãos. Me mostrou e perguntou se eu queria, pois ele já tinha uma edição daquele título. Havia encontrado no térreo da empresa, em uma prateleira em que os funcionários costumavam deixar livros que não queriam mais. Era No caminho de Swann, de Proust. Aceitei, já que não tinha o livro, mas um pouco descrente de que leria logo, pois andava na correria. Ao abri-lo, tive uma surpresa. Na folha de rosto, estava escrito à caneta provavelmente o nome de sua primeira dona, Rita, acompanhado de uma data: 06/06/81. Exatamente o dia em que nasci. Até prefiro ler livros mais novos, mas, depois dessa coincidência, topei em começar a ler este exemplar de páginas amareladas, manchadas e cheirando a velho. Ainda não terminei a leitura. Fiz paradas e retomadas. Em alguns momentos de extensa descrição, cheguei a me perguntar se deveria mesmo seguir, mas o meu encanto com a fineza de pensamento e d...
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